| São Paulo – O Parlamento de Kosovo aprovou hoje (18), por unanimidade a declaração de independência unilateral da Sérvia, proposta pelo primeiro-ministro, Hashim Thaci.
Nas ruas da capital, Pristina, milhares de pessoas já comemoram a transformação da província em país, acenando com bandeiras da Albânia, dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
“A partir de agora, Kosovo mudou de posição política, somos agora um Estado independente, livre e soberano”, declarou o presidente do Parlamento, Jakup Krasniqi, aos deputados, depois da aprovação da proclamação da independência.
Para o sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP), esta independência “é a continuidade da desintegração [da região] dos Bálcãs segundo linhas étnicas” e “só pode ocorrer devido à existência da União Européia”.
“Kosovo se transforma em um protetorado europeu. Sua segurança militar e policial será garantida por forças da Europa e suas leis serão organizadas por experts da União Européia.”
De população étnica majoritariamente albanesa, Kosovo é um território sob a administração da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999, após a intervenção militar da Otan para impedir a “limpeza étnica” promovida pelo então presidente iugoslavo Slobodan Milosevic contra a população de origem albanesa.
Após os bombardeios da Otan, as forças iugoslavas se retiraram de Kosovo e a segurança da província ficou a cargo de uma força internacional de paz. A ONU passou a administrar o território, embora este se mantivesse sob soberania da Iugoslávia (depois Sérvia e Montenegro e, hoje, apenas Sérvia).
Desde a realização de eleições gerais em 2004 (boicotadas pela minoria de origem sérvia), os partidos pró-independência kosovares preparam terreno para a separação total da Sérvia.
O premiê Thaci, um ex-líder guerrilheiro, obteve do Parlamento da província neste mês uma moção que autoriza Kosovo a adotar legislações soberanas.
Além da Sérvia, a Rússia é a maior opositora ao projeto de independência de Kosovo, por temer que se torne um precedente para movimentos separatistas dentro da própria Federação Russa, especialmente na região do Cáucaso. Lá se localiza a República da Chechênia, onde as forças russas sufocaram levantes separatistas na década de 1990.
Os Estados Unidos e a maioria dos governos da União Européia (exceto os de Chipre, Romênia, Eslováquia, Espanha e Grécia) deverão reconhecer o novo país.
Com agências Lusa e Telam |